terça-feira, 17 de abril de 2007

Bons passeios: ouvir o silêncio do Alqueva


Agora que o tempo já convida a longos passeios ao ar livre e o calor ainda não nos obriga a estar junto ao mar, é a altura ideal para dar um salto ao Alentejo. As muralhas de Monsaraz e o Alqueva foram o destino eleito, para uma escapadela de um fim-de-semana completamente normal de apenas dois dias. Mas ali, o tempo parece esticar e no regresso à cidade a sensação era a de voltar de férias. Ok, mini-férias, porque sabe sempre a pouco! Ao jeito de Óbidos, uma das minhas terras preferidas, Monsaraz também está dentro de muralhas medievais. Na corrida para a eleição das sete maravilhas nacionais, a povoação está há uns anos ainda mais bonita com as águas do Alqueva. Sabem o que é conseguir ouvir o silêncio? Sentada nas muralhas de Monsaraz e com a paisagem desafogada do gigantesco lago pela frente não se ouvia nada. Nada. De quando em vez, o zumbido de um insecto… típico dos tempos de Primavera. A sensação não podia ser melhor. Descanso. Paz. Tranquilidade. A completar tudo, a óptima gastronomia alentejana. Dentro de Monsaraz não recomendo nenhum restaurante em especial, mas ali ao lado, há muitas e boas sugestões, e claro, sempre acompanhadas pelo excelente vinho da região. Cada vez mais virada para o turismo, Monsaraz está cheia de espaços de turismo rural. As pessoas são muito simpáticas e os pequeno almoços, com o típico pão alentejano e as compotas que nunca faltam numa mesa rural, valem ouro.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Boas comidas: estar e saborear (n)o Alfândega


Há muito que andava para experimentar este restaurante. Tinha lido em revistas, especializadas “nas coisas boas da vida” que valia a pena e, de facto, foi um tiro certeiro. Mesmo ao lado da Casa dos Bicos, ali para os lados de Santa Apolónia, o “Alfândega, Armazém dos Sabores” está bem decorado e, para além de servir óptima comida, oferecem muita simpatia, desde o momento em que abrimos a porta, até resolvermos sair. Com música ambiente, no tom certo, que nos deixa conversar à vontade, ali sentimo-nos bem. As boas vindas são dadas por uma bebida de aperitivo, entremeada com um pãozinho torrado para molhar em dois azeites. Da ementa, destacamos o “Peito de pato com molho de mel, Dijon e batata-doce” e também o “Cherne com pimentas e puré verde”. Verdadeiras delicias. É certo, que as doses não são muito avultadas, mas a verdade é que a comida é tão saborosa que sabe bem comer devagar, saborear, e entre as palavras trocadas numa mesa de amigos, definitivamente não é preciso mais. Sobretudo porque já temos o pensamento nos doces. O “Bolo de Chocolate da Maria” vem quente e com um molho de morangos delicioso, a mousse de requeijão com doce de abóbora também é altamente recomendada e, claro, para um jantar a dois, porque não o fondeu de chocolate e frutas? O Alfândega não é um restaurante para jantar todos os dias, até porque tem preços “puxadinhos”, mas é sem dúvida um lugar a ter em conta nas ocasiões especiais. Mais ainda por servir comida fora de horas!

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Bons espectáculos: o erotismo e sensualidade do “Crazy Horse”


Assim que cheguei ao Auditório dos Oceanos, no Casino Lisboa, a sensação que tive foi de que faltavam as cadeiras e mesas, talvez com umas pipocas salgadas e umas bebidas elaboradas, para recriar o ambiente de cabaret. Mas pensando bem, se houvesse outros estímulos visuais, se calhar não apreciávamos tão bem os diferentes quadros do “Crazy Horse”. O espectáculo que vem directamente da sala de cabaret de Paris, com aquele mesmo nome, está em Lisboa até ao final do mês, e é talvez, um dos espectáculos do ano. Com jogos de luz poderosíssimos, “Crazy Horse” leva-nos até aos meandros do erotismo e da sensualidade, mas sem chocar. Muito elegante, o espectáculo é, obviamente para adultos, mas mostra-nos um nu muito estético e apreciável por mulheres e homens. Aliás, não sei se não havia mais público feminino do que masculino naquela plateia. A curiosidade era muita e as expectativas também. Não descuraram. Muito pelo contrário. Gostei mesmo do espectáculo. Destaque para o quadro que dá origem ao cartaz do espectáculo, onde só se vê meio corpo da bailarina, mas também para “Attitude”, um dos primeiro a subir ao palco e que nos envolve naquele circulo gigante de cores garridas e encantatórias. Bilhetes entre os 30 e 40 euros.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Com a pequenada: Andar de bicicleta num arame…


Abriu há menos de seis meses, mas já é um dos meus espaços preferidos para levar a miudagem. Ali, não só eles se divertem, como os pais, avós, tios e amigos também. Há tanto para descobrir e brincar! Estou a falar do Centro de Ciência Viva de Sintra, instalado nas antigas garagens do eléctrico de Sintra, a caminho de Colares. Um espaço que cativa logo à partida pelas próprias instalações, muito convidativas a um passeio. Lá dentro muitos são os estímulos que fazem dos graúdos de novo miúdos. Sem público alvo, o Centro tem experiências que surpreendem em qualquer idade. Os mais velhos adoram experimentar a bicicleta suspensa a cinco metros de altura do chão, que anda equilibrada num arame. Autêntico número de circo que quisemos experimentar, claro. Depois de subir as escadas de caracol, confesso que a vontade de fazer aquele percurso me passou num instante. Afinal cinco metros de altura vistos lá cima são muito diferentes dos perspectivados lá de baixo! Era uma vergonha voltar para trás, pensei. Além disso, se isto está aqui para experimentar, não pode trazer muitos perigos, reforcei. Resultado: fui e foi uma sensação espectacular. Percebi, aquilo que pode ser a paixão de um acrobata, embora a uma escala mínima, certo? E garanto-vos, ali não há nenhum perigo de cairmos e ficar magoados. Para além de ter uma rede por baixo, a bicicleta nunca perde o equilíbrio porque tem um contrapeso de 250 quilos. Segredos da ciência que nos fazem perceber os mecanismos de muitas coisas que nos passam despercebidas. É aí que reside o principal interesse do Centro: aliar o divertimento à aprendizagem. Porque mesmo os mais crescidos, têm muito para descobrir.

terça-feira, 3 de abril de 2007

Boas viagens: Soldeu – uma outra Andorra


Para aproveitar os últimos cartuxos da neve deste Inverno, porque não rumar a Soldeu neste fim-de-semana grande da Páscoa? Lógico que não se pode ir de carro, já que são cerca de 12 horas de caminho, mas de avião até Barcelona chega-se num instante e consegue-se fazer uma despedida em grande do esqui e do snowboard, numa Andorra diferente daquela que a maior parte das pessoas conhece.
Em conversas com amigos, muitos avisavam que Andorra não era uma estância nada de especial. Não havia árvores. Não havia chalés de madeira. Enfim, não era um sitio nada romântico. Pois Soldeu, alguns quilómetros abaixo de Pás de La Casa, a estância mais conhecida dos portugueses, foge completamente à regra. Está recheda de árvores que depressa ficam cobertas do manto branco da neve, transportando-nos para o cenário que sempre queriamos, e que imaginamos assim que se fala em férias de neve.
Ficámos alojados no Hotel Montana. Magnífico, por sinal. Confortável, quente e muito próximo do teleférico que nos dava entrada na estância. Revestido a madeira por fora e por dentro, sentiamo-nos num autêntico chalé, sobretudo porque nem precisávamos debruçarmo-nos na janela para ver os já muitos fãs de neve a esquiar ou a descer em snowboard. Com meia pensão, tinhamos direito a jantar, continental, farto e muito bom.
Depois de dias inteiros na estância, há sempre espaço para umas compras em Andorra La Velha, ou não fosse este um espaço privilegiado para gastar dinheiro. Embora com menos diferenças, do que antigamente, ali continuamos a encontrar os artigos que queremos comprar mais baratos. Perfumes, cremes e material electrónico é o que mais compensa.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Boas comidas: A Sopa de Tomate do Sem Fim

As letras garrafais lêem-se das Fortificações de Monsaraz. As revistas da especialidade recomendam-no, sem no entanto adiantar muito sobre o que podemos encontrar dentro daquelas paredes, de um antigo Lagar no Telheiro, agora transformado num digno restaurante alentejano, mas também Bar, e acima de tudo, um lugar para estar, comer devagar e saborear boas iguarias.
Num menú que dificilmente desagradará a alguém, já que, mais não seja, há grelhados como a picanha, unanimemente apreciados, salta à vista uma “Açorda de Tomate com dois queijos e ovo escalfado”. Enquanto se espera, prova-se uma salada fria, com fusili, muito agradável ao paladar, como também umas rodelas de cenoura bem temperadas, sem deixar de lado, claro, o espectacular pão alentejano. A acompanhar uma óptima surpresa: uma garrafa de Monte do Limpo reserva de 2004. Uma maravilha, mesmo ali de Monsaraz. Ainda que auto-intitulado, um restaurante de “Slow Food”, a verdade é que entre meia dúzia de frases trocadas, lá chegou à mesa a malga, não da açorda de tomate, mas da sopa. Porque cabe a cada um mergulhar o pão que bem entende, eu comi-a assim, mesmo como sopa, e só tenho uma palavra: irresistível. Com um queijo tipo fresco, de cabra, e outro mais amanteigado, a sopa é mesmo divinal.
A terminar o jantar, veio para a mesa “Migas Doces”, ou não estivessemos na terra das Migas. Uma delícia, muito parecido a arroz doce, mas, claro está, feito com pão. Uma última palavra para a decoração da sala, muito grande e ampla, como não podia deixar de ser, visto serem as instalações de um antigo lagar, mas muito confortável, com uma iluminação convidativa e as velas de cada mesa a darem um toque muito especial. Sem Fim, sem dúvida um lugar para voltar! Tel. 266 557 471.

domingo, 1 de abril de 2007

O que é o Vida Maravilha?

Apaixonada que sou por viver e conhecer tudo o que o mundo nos pode mostrar, não podia deixar de fazer um blog sobre as coisas boas da vida. Este não é pois um sitio de depósito de sensações qualquer. Este espaço, de actualização diária ou sempre que se justificar, é um lugar de partilha de emoções e impressões. Quero dar a conhecer bons livros, bons filmes, bons passeios, boas viagens, bons restaurantes... Quem o visitar fica com ideias para aproveitar melhor minuto a minuto. É esse o meu objectivo.