sábado, 5 de março de 2011

As maravilhas de Santa Quitéria


Com máscaras ou sem elas, a verdade é que o Carnaval é sinónimo na maioria das vezes de um fim-de-semana XL. É por isso que a sugestão desta semana do Vida Maravilha passa pelo norte.
À partida, um almoço em Felgueiras não é propriamente um dos destinos mais apelativos. Mas os nossos amigos garantiam: se gostam de cabrito, acreditem, vale os quilómetros. Pois que isso não é verdade, porque de facto, mesmo quem não gosta de cabrito vai agradecer os quilómetros percorridos. As coisas são mesmo assim: quando um restaurante é bom, a fama extravasa fronteiras e não há quem se negue a andar um pouco mais para experimentar afamadas iguarias. Eu, por exemplo, utilizo o pretexto de conhecer este ou aquele restaurante, para passar o fim-de-semana fora. Para conhecer mais um canto do nosso país. E de facto o Restaurante Santa Quitéria não merece que se conheça entre quilómetros. Há tanta variedade de entradas, tão bons pratos e sobremesas de bradar aos céus que não pode comer e sentar no carro rumo a casa. Mal entramos somos brindados com aperitivos como alheira com grelos, mini-croquetes e demais mini-salgados, mini espetadinhas, salada de feijão frade e uma belíssima salada mista, que não pode ser só coisas que façam mal ao colesterol. O cabrito com arroz de miúdos é digno de prémio gastronómico, assim como o próprio atendimento: pela simpatia, pela prontidão, pelo profissionalismo. No final, e ao contrário do que acontecia no passado, em que vinham bolos inteiros para a mesa e cada um cortava a fatia que queria, agora, pelas normas rígidas da Asae, vem para a mesa um prato com um pouco de cada especialidade, do bolo de bolacha, à tarte de amêndoa ou de limão.
Porque não é só o estômago que se alimenta, mas também a alma, o restaurante, encostado junto à Igreja de Santa Quitéria está bem decorado por dentro e contempla uma vista bonita e desafogada para lá dos vidros. Em duas palavras: muito bom. Fica o contacto para os interessados: telefone 255 313 712.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Francisco, o falso

Pois que afinal o miúdo estava cheio de razão para fazer febrões a cada 4 horas: nova otite bilateral aguda. A pediatra até se arrepiou com o estado dos ouvidos do F. Já está a antibiótico. Vamos ver se não é como o ano passado, com a mesma otite durante 4 meses e uma ida pouco simpática ao bloco operatório. Durante toda a semana eu mexi nos ouvidos e ele nada, nem um ai. Durante toda a semana comeu e bebeu o leite pelo biberão, sem um ai. Quem o via dizia que ele não parecia nada doente. E eu, se não fosse a pele a arder também tinha as minhas dúvidas. Não se queixa. Nada. Deve ter uma resistência à dor como poucos. Estou cheia de medo que volte a resistir aos antibióticos. No ano passado foram precisos 6. Vamos ver como corre agora.
Mas a pergunta é: pode-se confiar neste miúdo? Nem pensar. Sempre bem disposto, o falso...!

É ou não a melhor mana do mundo?

Ontem foi dia de festa na Escola da C. Cada criança ia mascarada como bem entendia. O importante era haver sorrisos para dar e vender. As meninas foram todas de princesa. De vestidos compridos, coroas na cabeça, sapatos de salto alto, lábios pintados, unhas arranjadas. A C estava radiante. Fartámos de tirar fotografias. Fui leva-la à escola com os dois mais pequenos, para regalo dela. Adora mostrar os irmãos. Como o F estava doentinho e sem grandes paciências para os crescidos, quase todos estavam de volta do ovo da M. Até que vejo a C a choramingar. "Que se passa?", perguntei. Responde ela mesmo sentida: "Estão todos a dizer que a minha mana cheira mal, mas não cheira. Ela é tão linda. Tão fofinha." A verdade é que a M, como qualquer bebé de três meses tinha acabado de fazer o seu cocó. Era só uma questão de eu mudar a fralda, coisa que fiz assim que saí dali. Mas mana que é mana fica ofendida com estas coisas! Hoje foi dia de brincadeira outras vez, mas com direito a desfile nas ruas e com fatiotas novas. Toda a sala vestiu-se de médicos e enfermeiras e mais importante que isso, a M não cheirou mal para orgulho da mana crescida!

Desbloqueador de conversa


Ando sem coragem de voltar a escrever aqui. Tudo me parece demasiao fútil face ao post anterior. Precisava assim de um desbloqueador de conversa do tipo o tempo que faz ou vai fazer, bem típico nos elevadores dos grandes edifícios empresariais! A Primavera parece querer dar ares de sua graça ali na janela da minha casa de banho e eu achei que este era o mote ideal para quebrar o gelo. Eu prometo dar notícias do JV à medida que as for tendo. Para já sabemos que a quimioterapia está a ser muito violenta. Ele está em baixo, mas a mãe muito confiante que tudo vai passar rápido. E nós temos que acreditar que sim, o JV vai vencer. Pois vai. Para já não vamos fazer nada. Primeiro há que haver uma avaliação de um psicólogo para perceber até que ponto fotografias dos amigos da escola, desenhos ou outras coisas lhe fará bem. Pode ficar triste e querer vir embora e isso nós não queremos. Queremos ajudar, não atrapalhar ainda mais. Os pais estão todos mobilizados para ajudar no que for possível. Os miúdos todos os dias pedem por ele. E por isso tudo vai acabar em bem.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Leucemia

Há vários dias que a Carolina no seu regresso a casa me vinha dizendo: “Sabes uma coisa mãe? O JV está a dormir no hospital. Está doente.” E eu lá lhe ia respondendo que às vezes era preciso, que o inverno era difícil e que a chuva assim, o frio assado e frito e cozido por aí. Cada vez que ela andava descalça em casa, lá lhe dizia “Queres ficar doente?” e ela lá respondia e dizia “Pois, o JV está no Hospital” e eu, talvez por isso, talvez pelas várias gripes e viroses que vão passando cá por casa sempre associei o internamento do coleguinha dela às gripes do Inverno. Até que esta semana encontrei duas vezes a avó e a mãe do M, chorosas, à porta da sala e a educadora a dizer que era preciso acreditar, ter fé. Fiquei com a pulga atrás da orelha. Mas o M estava com um ar tão saudável… Hoje perguntei à educadora ao qual ela me respondeu que o problema era com o JV. Está com Leucemia. Caiu-me a cara ao chão. Fiquei de queixo caído sem saber muito bem como voltar a articular uma palavra. Mas como? De repente? Quando? Porquê? Tem a certeza? E pensar que ainda há uns dias, no fim de Janeiro, precisamente na festa de aniversário do M estive a conversar com a mãe do JV. Estava tranquila, tudo ok, nada fazia prever. Ao que parece ele estava a perder peso, não tinha grande apetite e a mãe levou-o ao hospital. Está no IPO e já começou a quimioterapia na sexta-feira passada. Hoje, passei o dia todo a pensar nisto. A palavra Leucemia parece um reclame luminoso a piscar dentro da minha cabeça. Só a palavra, o nome da doença, causa-me arrepios. Escrevi uma carta à educadora. É preciso agir, é preciso movimentarmo-nos. Fazer alguma coisa. Se não for uma campanha de dadores de medula óssea (que era bonito de ver e com uma comunidade tão grande que é a escola com certeza iríamos abrir esperanças para muita gente), pelos menos a junção de algum dinheiro para a compra de um presente para mandar ao JV, com uma fotografia dos amigos. Uma coisa sem dramas, mas com graça, para ele rir e fazer rir a mãe também. Não consigo imaginar a dor da mãe dele. Não faço ideia o que é estar naquela situação. Deve ser horrível e um carinho, por mais simbólico que seja vai fazer-lhe bem com certeza. À tarde encontrei a representante dos pais da sala e contei-lhe da minha proposta. Aceitou de imediato e amanhã entrego-a à Educadora. Não quero salvar o mundo (se pudesse salvava), quero apenas ajudar quem precisa hoje. Amanhã posso ser eu a precisar. E no fundo, o que proponho não é fazer nada, mas apenas mobilizar os pais e ficarmos de bem connosco mesmo. Quem consegue ficar indiferente?

Histórias com gente dentro

O que eu gosto de ver este programa. Belíssimas reportagens. Felizmente que regressou à SIC, logo após o Jornal da Noite. Hoje não dá por causa do Benfica - Sporting para a Taça da Liga, mas amanhã regressa. E depois de amanhã, e depois de depois de amanhã... Não perco. É por trabalhos destes que gosto de ser jornalista.

terça-feira, 1 de março de 2011

Afinal

Parece que não foi só ontem o dia engraçado. Cheira-me que é a semanita toda. Com febre a cada 4 horas, a pespectiva não é das melhores.