segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Sem título (porque não tenho palavras)


Gostava de chegar aqui e falar-vos de como foram boas as minhas férias. Cheias de sol, de amigos, de horas perdidas na praia, de piscina, de jantaradas tardias. E na verdade, até foram. Mas acabaram de forma tão abrupta, tão inesperada, tão trágica, que quando me perguntam se as férias correram bem, acabo por nem saber o que responder, de quase as já ter esquecido. A minha sogra faleceu. Pior que isso, a mãe do meu marido faleceu. A avó dos meus filhos faleceu. Há muito que estava doente, mas a coisa parecia controlada até ao último mês, em que parece tudo ter-se precipitado. Viemos a correr do Algarve para Lisboa, mas no fundo a única coisa que conseguimos fazer foi acompanhá-la nos últimos momentos de vida, em que já não é bem vida aquilo a que assistimos. Foram três dias estupidamente dolorosos. Três dias em que sabíamos já nada haver a fazer. E isso custa tanto, ficar assim, só à espera do fim anunciado. Terrível. Terrível.

Já há muito que queria vir aqui, escrever, voltar a mim, mas não consegui. Deixei o tempo passar e a cabeça parar de fazer viagens no tempo a pensar em tudo. Em tudo o que foi, em tudo o que podia ter sido, se as coisas fossem diferentes. Setembro já começou e eu gosto de Setembro, por representar um novo ciclo. O regresso às aulas, à rotina, à vida dita normal. E eu quero voltar à minha vida normal, ainda que a partir daqui as coisas sejam, necessariamente, um pouco diferentes. Espero não voltar a ter que falar deste assunto, ainda que o faça se achar que o devo fazer. Mas quero começar de novo e cheia de energia. Amo a vida e cada vez acho mais e mais que a temos que a aproveitar ao máximo. Sempre. Hoje e sempre.  E é por isso que provavelmente o próximo post fale apenas e só de coisas boas, mostre as fotos do nosso verão, conte as aventuras dos nossos filhos, os abraços fortes dos nossos amigos, as partilhas únicas vividas na nossa família, ou meras banalidades do dia-a-dia. Não vou fingir que nada se passou, ou que tudo já passou, porque o que aconteceu nunca chega a passar. É apenas o querer seguir em frente, o respeitar o nosso tempo, porque mais do que nunca sabemos que o tempo não volta atrás…

4 comentários:

amélia disse...

Olá Ana
Já tinha estranhado não postar nada no seu blog... vinha cá espreitar de vez em quando e achei que alguma coisa se devia passar.
Um beijinho e um forte abraço para vocês especialmente para o Miguel... nem sequer imagino o que ele deve estar a sofrer.
beijinho e se precisar de alguma coisa é só dizer... um cafézinho talvez!!!

Mónica Monteiro disse...

Querida, um grande beijinho para ti e para os teus, em especial para o Miguel...

Marisa Luna disse...

Olá minha querida!
Os meus mais sinceros pêsames! São momentos tão dolorosos que deixam marcas e que mexem com a nossa vida e o nosso pensamento.
Daqui mando o meu abraço apertado e boas energias, para ajudar a diminuir um bocadinho o vazio que sempre fica...
Beijocas

Patrícia Serra disse...

Oh Ana! Tenho tanta pena... Nem imagino o que possam estar a sentir. Confesso que já tinha achado estranha a tua inactividade por aqui.
Mil beijinhos para todos e muita força!!!