segunda-feira, 14 de maio de 2012

Quando um filho parte a cabeça

Esquecemo-nos da (enorme, enormíssima) quantidade de vezes que lhe dissemos para estar quieto e não pular, não correr e sossegar;
Achamos logo que não conseguimos evitar e que a culpa foi nossa, devíamos ter feito qualquer coisa, ter conseguido agarrar;
arrependemo-nos logo de todas as reprimendas, de todas as promessas de palmadas, de todos os olhares menos simpáticos...
juramos que aquilo vai passar logo, mesmo nem conseguindo olhar bem para a ferida;
não nos importamos minimamente com o sangue deixado na nossa roupa, mesmo que estivéssemos a estrear alguma coisa;
perdemos a fome, a sede e deixamos de pensar. No sábado e antes de perceber que a coisa era controlável ali mesmo, estancando o sangue com uma compressa e lavando com betadine, nem sabia onde estavam as chaves do carro;
deixamos escapar vezes repetidas “Ai Meu Deus”, “Ai Meu Deus” e só depois percebemos que estamos a enervar os manos (a minha filha mais crescida chorou mais que a irmã. Felizmente o F preferiu continuar a jogar à bola e não ligou nenhuma);
queremos que se mantenha acordado o mais possível, mesmo sabendo que está mais que na hora de dormir e a queda já foi há algum tempo atrás;
olhamos e olhamos de novo, vigiamos o sono e não conseguimos evitar em fazer uma festinha, mexer no pé ou qualquer coisa que o valha, para ver se se mexe normalmente;
E depois? Como deixá-los correr outra vez, precisamente no mesmo sítio, com as mesmas pedras, os mesmos perigos? Isso ainda é o mais difícil. Deixá-los soltos outra vez.
Já tudo passou, menos a marca deixada na testa e que deve ficar por uns bons tempos, mas estou deserta de a ir buscar à escola para saber como passou o dia.
Ai, esta vida de mãe, esta vida de mãe.

Um comentário:

Sónia Santos disse...

É o que faz sermos mães e os nossos filhos serem traquinas, mas tudo fica bem. Bjca